11 de jun de 2009

O Arlequim


Óleo sobre tela

SONETO DE ALERQUIM
Com as veias sensíveis do meu corpo
Estendidas feito mãos de condenado,
Tão afiado na condição do meu estojo,
Expulso versos para fora do cercado.
São versos feitos de raízes e serenos,
Em que homens encantados de platô,
Na acústica matinal destes venenos,
Expeliram da minh'alma o pierrot.
São versos feitos de sarjetas e luares...
Mas eis que na profícua solidão dos bares,
Onde boêmios prescrevem suas mazelas;
Eis que de faíscas e quermesses medulares
A bruta imagem destes versos singulares
Desfaz-se ao pólen feminil de tuas telas!
Caio Resende

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